Os sinais de perda de fôlego da economia brasileira causam preocupação para o comércio, em virtude da posição estratégica do setor na cadeia produtiva. Situando-se no extremo, lidando diretamente com o consumidor final, o comércio necessita adequar-se o tempo todo para atender aos desejos e às necessidades da demanda.
Quando a procura por bens cai, o comerciante enfrenta sérios problemas para gerir seu negócio, porque o número de clientes interessados em seus produtos diminui. Considerando inicialmente o nível de custos constante, o empresário precisa fazer ajustes para equilibrar receitas e despesas.
A partir daí, esses são os primeiros passos para uma conjuntura adversa, por força da redução das encomendas do comércio junto aos setores primário e secundário, criando efeitos negativos sobre os demais setores.
Mais recentemente, a economia brasileira recuou seu nível de crescimento para 0,5% no segundo trimestre deste ano, após crescer 1,1% nos primeiros três meses frente ao quarto trimestre do ano passado. No acumulado de 12 meses terminados em junho, variou 1,9%. No entanto, há previsões no mercado de que possa evoluir menos, 1,7%, dependendo da performance no segundo semestre. Para o final do ano, estima-se uma conjuntura que poderá sofrer eventuais efeitos do super El Niño sobre as safras e do menor ritmo do mercado de trabalho.
Para o comércio, os problemas se materializam por meio da queda dos gastos das famílias com bens, assim como das incertezas que geram sobre os negócios nos próximos meses. Depois de as despesas das famílias subirem 0,8% entre janeiro e março deste ano, observou-se queda de 0,4% entre abril e junho.
O endividamento das famílias, bets, carestia e juros exorbitantes forjam condições de vida mais restritivas para as famílias, que encontram dificuldades para enfrentar os problemas, comprometendo parcela significativa da renda com o pagamento das dívidas. Esse cenário se desenvolve afetando severamente os interesses das atividades do comércio, frustrando o crescimento dos negócios.
Artigo de Aldo Gonçalves, presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), publicado no Monitor Mercantil em 16/09/2026.
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